Factores associados à transmissão vertical do VIH em gestantes atendidas em Luanda: Estudo multicêntrico
Factors associated with vertical transmission of HIV among pregnant women receiving care in Luanda: A multicentre study
DOI:
https://doi.org/10.70360/rccse.v.161Palavras-chave:
Transmissão vertical, VIH/SIDA, Gravidez, Vertical transmission, HIV/AIDS, PregnancyResumo
Introdução: Um dos principais objectivos da ONUSIDA até 2030 é diagnosticar 90% das pessoas vivendo com VIH, proporcionar tratamento a 90% dos diagnosticados e garantir que 90% dos tratados tenham carga viral indetectável. As mulheres grávidas e os seus filhos são uma população crítica para atingir estas metas. Este estudo teve como propósito avaliar o risco de transmissão vertical do VIH e os factores associados à perda de oportunidades de prevenção em gestantes VIH+ atendidas nos serviços de Prevenção da Transmissão Vertical em Luanda, entre 2015 e 2016.
Metodologia: Realizou-se um estudo de coorte prospectivo com mulheres grávidas VIH+ registadas na primeira consulta de pré-natal e na sala de parto de maternidades em Luanda, sendo monitorizadas até ao nascimento dos recém-nascidos, os quais foram acompanhados até aos 18 meses. Foram recolhidas variáveis sociodemográficas, historial da gravidez, status serológico para o VIH, uso de terapia anti-retroviral (TARV) durante a gestação e consumo de tabaco. A análise dos dados incluiu medidas de resumo, teste qui-quadrado e cálculo do Odds Ratio (OR) com intervalo de confiança de 95%.
Resultados: O estudo incluiu 633 mulheres, das quais 132 (29%) crianças e 79 (17%) foram perdidas de seguimento. A idade média das participantes variou entre 25 e 34 anos, com 589 (93%) a utilizar TARV durante a gestação. A taxa de transmissão vertical foi de 2.4%. Os principais factores associados à transmissão foram o uso de tabaco (OR 21.9; IC 95% 2.5-192) e a ausência de TARV durante o parto (OR 14.7; IC 95% 2.3-92).
Conclusão: A transmissão vertical do VIH em gestantes em Luanda é exacerbada por oportunidades perdidas na detecção precoce da infecção e na adesão à terapia. Reforçar o acompanhamento clínico e a adesão ao tratamento é crucial para reduzir as taxas de transmissão vertical e evitar a perda de oportunidades de prevenção.
Abstract
Introduction: One of the main objectives of The Joint United Nations Programme on HIV/AIDS by 2030 is to diagnose 90% of people living
with Human Imunodefiency Viros (HIV), provide treatment to 90% of those diagnosed, and ensure that 90% of treated individuals achieve an
undetectable viral load. Pregnant women and their children are a critical population for achieving these goals. This study aimed to assess the risk
of vertical transmission of HIV and the factors associated with missed prevention opportunities among HIV-positive pregnant women attending
Vertical Transmission Prevention services in Luanda between 2015 and 2016.
Methodology: A prospective cohort study was conducted involving HIV-positive pregnant women registered at their first antenatal visit and in
maternity delivery rooms in Luanda, who were followed until the birth of their newborns, monitored for up to 18 months. Sociodemographic
variables, pregnancy history, HIV serostatus, use of antiretroviral therapy (ART) during pregnancy, and tobacco consumption were collected. Data
analysis included summary measures, chi-square tests, and calculation of Odds Ratios (OR) with a 95% confidence interval.
Results: The study included 633 women, of whom 132 (29%) children and 79 (17%) were lost to follow-up. The majority of participants were aged
between 25 and 34 years, with 589 (93%) using ART during pregnancy. The rate of vertical transmission was 2.4%. The main factors associated
with transmission were tobacco use (OR 21.9; 95% CI 2.5-192) and lack of ART during delivery (OR 14.7; 95% CI 2.3-92).
Conclusion: Vertical transmission of HIV among pregnant women in Luanda is exacerbated by missed opportunities for early infection detection
and adherence to therapy. Strengthening clinical follow-up and treatment adherence is crucial to reducing vertical transmission rates and
preventing missed prevention opportunities.
Referências
(1) UNAIDS Ujp. The gap report [Internet]. Geneva; 2014. 422 p. Disponível em: https://www.unaids.org/sites/default/files/media_asset/UNAIDS_Gap_report_en.pdf
(2) Matida LH, Gianna MC, Tayra Â, Gonçalves D de A. Guia de referências técnicas e programáticas para eliminação da transmissão vertical do HIV. Em: Guia de referências técnicas e programáticas para eliminação da transmissão vertical do HIV [Internet]. 2014 [citado 3 de setembro de 2024]. p. 239–239. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-773059
(3) Wudineh F, Damtew B. Mother-to-Child Transmission of HIV Infection and Its Determinants among Exposed Infants on Care and Follow-Up in Dire Dawa City, Eastern Ethiopia. AIDS Research and Treatment. 2016;2016:1–6.
(4) Sperling RS, Shapiro DE, McSherry GD, Britto P, Cunningham BE, Culnane M, et al. Safety of the maternal–infant zidovudine regimen utilized in the Pediatric AIDS Clinical Trial Group 076 Study. Aids. 1998;12(14):1805–13.
(5) Rebelo ÓRC. Profilaxia da transmissão vertical do vírus da imunodeficiência humana [Internet] [Master’s Thesis]. 2010 [citado 3 de setembro de 2024]. Disponível em: https://estudogeral.uc.pt/handle/10316/31394
(6) de Pediatria SP, RECOMENDAÇÕES CE. Protocolo de prevenção da transmissão vertical do vírus da imuno deficiência humana (VIH). Pediatria [Internet]. 2007 [citado 3 de setembro de 2024]; Disponível em: https://www.sip-spp.pt/media/shraegvl/vih_protocolo_transmissa-o_vertical_2008.pdf
(7) Lawn J, Kerber K. Oportunidades para os Recém-Nascidos em Africa: dados práticos, políticas e apoio programático aos cuidados de saúde a prestar aos recém-nascidos africanos. PMNCH, Cape Town. 2006;
(8) INLCS. Relatório Preliminar de Actividades de 2015. Luanda: IInstituto Nacional de Luta contra a SIDA; 2016 mar p. 37.
(9) HIV/AIDS (UNAIDS) JUNP on, Organization (WHO) WH. Global AIDS response progress reporting 2015. World Health Organization Press: Geneva, Switzerland. 2015;
(10) SILVA, L.C. Excursión a la regresión logística en ciencias de la salud. Madrid: Edic Díaz de Santos; 1994.
(11) Costa C.S.C, Vila VSC, Rodrigues FM, Martins CA, Pinho L. M. O. Características do atendimento pré-natal na Rede Básica de Saúde. Revista Eletrónica de Enfermagem. 2013;15(2):516–22.
(12) Gianvecchio RP, Goldberg TBL. Fatores protetores e de risco envolvidos na transmissão vertical do HIV-1. Cad Saúde Pública. 2005;25(5):581–8.
(13) Stefani M, Araújo BF, Rocha NMP. TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV EM POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA DO SUL DO BRASIL. DST-J bras Doenças Sex transm; 2014.
(14) Menezes L, Palácios VRCM, Acântara MSV, Bichara CN. Prevalência da Infecção por HIV em Grávidas no Norte do Brasil. DST - J bras Doenças Sex Transm. 2012;24(2):250–4.
(15) Mandu JB dos S. Abandono de Tratamento de Pessoas com HIV e Retorno após Busca Ativa: Contribuições para Enfermagem. 2022 [citado 20 de outubro de 2024]; Disponível em: https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/4493
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2025 Revista Científica da Clínica Sagrada Esperança

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0.