Factores de Risco para Óbito Neonatal no Hospital Pediátrico David Bernardino: Estudo caso-controlo

Risk Factors for Neonatal Death at the David Bernardino Paediatric Hospital: A Case-Control Study

Autores

  • Dora Jaquelina Eleva Cuianga Victorino 1. Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina, Universidade Agostinho Neto, Luanda, Angola
  • Paulo Ney Solari Clínica Sagrada Esperança, Luanda, Angola https://orcid.org/0000-0003-1904-1104
  • Emanuel Catumbela Departamento de Microbiologia, Patologia e Meios de Diagnóstico, Faculdade de Medicina, Universidade Agostinho Neto, Luanda, Angola https://orcid.org/0000-0002-3289-2643
  • Joaquim C. V. D. Van-Dúnem Departamento de Pediatria, Faculdade de Medicina, Universidade Agostinho Neto, Luanda, Angola

DOI:

https://doi.org/10.70360/rccse.v.171

Palavras-chave:

Mortalidade neonatal, prematuridade, factores associados, saúde infantil

Resumo

Introdução: A mortalidade neonatal permanece um desafio de saúde pública, contribuindo significativamente para a mortalidade infantil em países de baixa e média renda. Este estudo caso-controlo não pareado investigou os fatores associados ao óbito neonatal no Hospital Pediátrico David Bernardino, em Luanda, Angola, entre julho de 2017 e julho de 2018, com o objectivo de informar intervenções para reduzir essas mortes.

Métodos: Foram incluídos 587 recém-nascidos (196 casos de óbito e 391 controlos com alta hospitalar). Dados sobre fatores maternos, gestacionais e condições do recém-nascido foram coletados através de questionários e registos clínicos. A análise estatística empregou regressão logística hierarquizada para identificar os fatores independentemente associados ao óbito neonatal, apresentando odds ratios ajustadas e intervalos de confiança de 95%.

Resultados: A análise multivariada revelou associações significativas entre o óbito neonatal e a idade materna <18 anos (OR ajustada=4,2; IC95%=1,0-17,1), literacia materna inferior à 6ª classe (OR ajustada=2,0; IC95%=1,2-3,5), consumo de álcool na gestação (OR ajustada=3,9; IC95%=2,4-6,5), intervalo intergenésico <2 anos (OR ajustada=5,2; IC95%=3,2-8,5), prematuridade (<32 semanas) (OR ajustada=7,2; IC95%=4,0-12,8) e menos de quatro consultas pré-natais (OR ajustada=2,4; IC95%=1,6-3,6). Malformações congénitas, como a gastrosquises, apresentaram uma forte associação com o óbito (OR ajustada=18,9; IC95%=7,6-46,7).

Conclusão: A mortalidade neonatal em Luanda está fortemente associada a factores biológicos, socioeconómicos e relacionados à assistência à saúde. Investimentos estratégicos na melhoria da qualidade e da cobertura dos cuidados pré-natais e neonatais são essenciais para reduzir as taxas de mortalidade neonatal neste contexto vulnerável de Angola. Intervenções focadas na educação materna, prevenção do consumo de álcool durante a gravidez e na otimização do acesso e da qualidade dos cuidados pré-natais e neonatais são cruciais.

Palavras-chave: Mortalidade neonatal, prematuridade, factores associados, saúde infantil.

 

 

ABSTRACT:

Introduction: Neonatal mortality is a crucial indicator of child health and the quality of healthcare, accounting for 45% of deaths in children under five in low- and middle-income countries. This study aimed to pinpoint the factors associated with neonatal death at the David Bernardino Paediatric Hospital in Luanda, Angola, from July 2017 to July 2018, with a view to informing interventions to bring these deaths down.

Methods: A non-matched case-control study was carried out, involving 587 neonates: 196 cases (death) and 391 controls (hospital discharge). The variables analysed included maternal factors, gestational factors, and the neonate's condition. Data were collected using structured questionnaires and by looking at clinical records. Hierarchical logistic regression was employed for the analysis to identify factors associated with the outcome.

Results: Factors associated with neonatal death included maternal age under 18 years (adjusted OR=4.2; 95% CI=1.0-17.1), literacy below the 6th grade (adjusted OR=2.0; 95% CI=1.2-3.5), alcohol consumption during pregnancy (adjusted OR=3.9; 95% CI=2.4-6.5), and a birth interval of less than 2 years (adjusted OR=5.2; 95% CI=3.2-8.5). Among gestational conditions, key factors were prematurity (under 32 weeks) (adjusted OR=7.2; 95% CI=4.0-12.8) and fewer than four antenatal appointments (adjusted OR=2.4; 95% CI=1.6-3.6). Congenital malformations, such as gastroschisis (adjusted OR=18.9; 95% CI=7.6-46.7), also showed a strong association with death.

Conclusion: Neonatal mortality is linked to biological, socio-economic, and healthcare-related factors. Investing in improvements to the quality and coverage of antenatal and neonatal care is essential for reducing neonatal mortality rates, particularly in vulnerable settings such as Angola. Targeted interventions focusing on maternal education, preventing alcohol consumption during pregnancy, and optimising access to and the quality of antenatal and neonatal care are crucial.

Keywords: Neonatal mortality, prematurity, associated factors, Angola, child health.

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Publicado

31-07-2026

Como Citar

Victorino, D. J. E. C., Solari, P. N., Catumbela, E., & Van-Dúnem, J. C. V. D. (2026). Factores de Risco para Óbito Neonatal no Hospital Pediátrico David Bernardino: Estudo caso-controlo: Risk Factors for Neonatal Death at the David Bernardino Paediatric Hospital: A Case-Control Study. Revista Científica Da Clínica Sagrada Esperança, (Número 15. ANO 18 | JULHO 2026), 25–34. https://doi.org/10.70360/rccse.v.171

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